Portugal sobe para 11.º lugar entre 27 países europeus na produção de ciência

2017-04-03

O número de publicações triplicou na última década, colocando Portugal entre o Reino Unido e a Alemanha na tabela das publicações por milhão de habitantes, segundo estatísticas agora divulgadas. Confrontando os dados com outros indicadores, conclui-se ainda que o país produz muita ciência e barata

A produção científica portuguesa continua a crescer e é assim há mais de 20 anos. As estatísticas divulgadas em Março pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) mostram que a produção de ciência cresceu entre 2005 e 2015 a uma taxa média anual de 10%, o que coloca Portugal entre os quatro países que mais progrediram neste indicador. Na “tabela geral” com 27 países europeus que avalia o número de artigos publicados por milhão de habitantes, a produção científica portuguesa passou do 16.º lugar em 2005 para o 11.º em 2015.

Mas será tão simples assim? Quando comprado com outros países, Portugal fica bem na fotografia? O que explica este crescimento? E, por outro lado, estarmos a produzir mais quer dizer que estamos a fazer melhor? “Só conhecemos bem a ciência portuguesa se a medirmos”, refere ao PÚBLICO Carlos Fiolhais, professor na Universidade de Coimbra, quando lhe pedimos para interpretar as estatísticas do número de publicações indexadas na Web of Science, uma base de dados de revistas científicas, que considera como um “bom indicador”.

Para melhor percebermos a evolução do país, temos de o comparar. E isso só é possível quando olhamos para o gráfico da DGEEC sobre o número de publicações científicas por milhão de habitantes nos vários países da União Europeia (UE), entre 2005 e 2015. Portugal produziu 1298 artigos por milhão de habitantes em 2015 (em 2005 eram apenas 510). Neste indicador estão contabilizadas apenas um total 13.464 publicações porque apenas são tidas em conta as chamadas “ciências duras” (excluindo-se as ciências sociais e humanidades) e apenas os artigos, revisões ou artigos curtos (deixando de fora publicações como opiniões, resumos e actas). “O número de publicações em dez anos quase triplicou, passando de 510 para 1298, calando aqueles que dizem que a ciência em Portugal é improdutiva”, assinala Carlos Fiolhais.

No topo da tabela, estão os países nórdicos, a Dinamarca (com 3050 publicações por milhão de habitantes) ou a Suécia (2563) e a Finlândia (2195). Portugal está entre o Reino Unido (com 1603) e a Alemanha (1248), representando o país de Sul da Europa que mais publicou nesta década. Nos últimos lugares da lista dos 27 países da UE estão a Letónia (357), a Roménia (616) e a Eslováquia (616).

Fonte: Público

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